sábado, 14 de março de 2009

Por Delicadeza

Bailarina fui
Mas nunca dancei
Em frente das grades
Só três passos dei

Tão breve o começo
Tão cedo negado
Dancei no avesso
Do tempo bailado

Dançarina fui
Mas nunca bailei
Deixei-me ficar
Na prisão do rei

Onde o mar aberto
E o tempo lavado?
Perdi-me tão perto
Do jardim buscado

Bailarina fui
Mas nunca bailei

Minha vida toda
Como cega errei

Minha vida atada
Nunca a desatei
Como Rimbaud disse
Também eu direi

«Juventude ociosa
Por tudo iludida
Por delicadeza
Perdi minha vida».

Sophia de Mello Breyner Andersen

3 comentários:

Ana Martins disse...

Olá Luísa,
estupendo este poema de Sophia de Mello Breyner Andersen.

Beijinhos,
Ana Martins

lys disse...

Mi vida nunca desate... es precioso este poema.

Un beso

Paula disse...

Parece que vi minha própria vida. Lindo poema.